Inclusão Escolar... Será?!

Bem Vindo à Holanda
Emily Kingsley
Muitas vezes me pediram para descrever a experiência de educar uma criança com deficiência com o intuito de tentar ajudar as pessoas a compreenderem o que é esse tipo de vivência.
É assim. Ter um bebê é como se fosse planejar uma fantástica e excitante viagem de férias para a Itália. Você compra livros, roupas, faz planos maravilhosos. Sonha com os momentos incríveis que irá pasar em locais como o Coliseu, passear nas gôndolas de Veneza, visistar a Capela Sistina e ver as pinturas de Michelangelo. Até ensaia algumas frases em italiano.
Nove meses de ansiosa espera e chega o momento da viagem. Você pega suas malas, avisa a família e vai para o aeroporto. Depois de algumas horas de vôo, o avião aterrisa suavemente e a aeromoça diz:
- Bem vindos à Holanda!
- Holanda? O que é isso? Eu não comprei passagem para a Holanda!
- Houve uma mudança no plano do vôo. Aqui é a Holanda e é aqui que você vai ficar.
Você logo percebe que é um lugar diferente e deve logo sair e procurar comprar novos guias que lhe ajudarão. Vem em seguida a necessidade de aprender uma nova língua com urgência.
Consequentemente, você irá encontrar também um novo grupo de pessoas. É um lugar diferente,mais lento e menos vistoso do que a Itália. Mas depois de permanecer um pouco no local, você se acalma, respira fundo, dá uma olhada ao redor e descobre encantada que a Holanda tem lindos moinhos de vento, que a Holanda tem campos de tulipa.
Mas todos os seus conhecidos estão ocupados indo e vindo para a Itália, e todos se gabando da diversão que usufruem. E pelo resto da sua vida você vai dizer:
- É para onde eu queria ter ido. Foi o lugar que eu planejei.
Para alguns essa perda nunca vai passar. Porque para eles a perda de um sonho é realmente muito significante.
Mas se você passar sua vida lastimando o fato de não ter ido à Itália, você pode nunca se sentir livre para apreciar as coisas adoráveis e delicadas da Holanda.
***
O projeto "Escola para Todos" do Lula promete acabar com as APAEs e colocar todos as crianças portadoras de necessidades especiais nas escolas públicas. Minha mãe é diretora de uma escola pública e diz que "quem inventou esse projeto nunca entrou numa sala de aula". Como fazer com que os professores se adequem às necessidades de crianças tão diferentes?! Na mesma sala, um surdo, um paralítico, uma criança com Down?! Será que as APAEs não eram o instituto que mais poderia acertar na educação delas? É, vamos ver o que vai virar isso...
Escrito por OLiver Hard às 01h41
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