"Closed Water"
Por trás de toda empolgação aberta em cima de "Mar Aberto" (Open Water, 2003), o que me resta é jogar um balde de água fria em quem ainda não assistiu e quer muito ver. Um filme bobo, uma nova 'A Bruxa de Blair', excetuando a originalidade peculiar desta última. 'Mar Aberto' prima pelo ambiente claustrófobo e pela possibilidade do erro humano acontecer. Um filme curto, mas suficientemente cansativo. Repetitivo, doentio. Retardante. De certo modo é instigante. Um esforço sôfrego de assistir, de saber o final. Mas muito aquém de algo construtivo. Me senti assistindo ao João Kléber, com seu sensacionalismo, me algemando à cadeira para saber do final, mesmo sendo contra a minha vontade lógica. Final este, algo tão desconexo e desnecessário. Considere 'Mar Aberto' como uma comédia ou como um documentário, que você se divertirá muito mais. Pois enquanto experiência de clonagem de 'A Bruxa de Blair', ficou muito a desejar...
Escrito por OLiver Hard às 02h55
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A Igualdade Que Não Queremos

Quando se fala em erradicação da pobreza e coisa e tal, imagina-se um patamar mínimo, condições mínimas nas quais as pessoas possam no mínimo sobreviver, sub-existir. Para isso, coloque uma cesta básica, adicione uma casa, mobília, e dinheiro. Uma família, domiciliada à Rua Tal, bem nutrida e com filhos regularmente matriculados, talvez seja esse o sonho mínimo que qualquer clã situado abaixo da linha da pobreza almeje. É possível, é querido, é prometido por políticos. O mesmo sonho utópico pode ser ambientado na China? Vamos considerar novamente a mobília utópica. Um quarda-roupas por casa parece satisfatório? Digamos que sim, e digamos ser necessárias 32 ripas e alguns adornos para a confecção de UM guarda-roupas. Ok. Dentro: roupas e calçados. Camisetas, camisas, blusas, meias, cintos, sapatos, chinelos, lenços. De algodão, de couro, de materiais sintéticos. Na geladeira da cozinha e na fruteira da despensa, frutas e cereais para alimentar 6 habitantes de casa residência. Acrescente-se uma renda de US$ 12.000/ano. E multiplique isso tudo por 2 bilhões!
É aterradora a realidade da inclusão: que a Europa toda plante algodão e mesmo assim algum chinês não poderá ter mais de uma camiseta a disposição. Que todo o couro do rebanho mundial fabrique chinelos, e mesmo assim haverá um chinês andando descalço. Que toda a África plante e colha verduras, legumes, frutas e cereais, mas mesmo assim não se poderá alimentar os chineses por muito tempo, enquanto o desgate do solo será eminente. Que todo o Vale do Silício se transforme em placas de computador e chips, e mesmo assim faltará matéria-prima para um habitante chinês que queira um lat-top.
O preço da inclusão social é a renúncia do patamar que nos encontramos. Temos muitas camisas no armário, vários pares de sapato. Se todos os chineses se dessem ao mesmo luxo, OU seríamos impossibilitados de possuir os bens por falta de matéria prima, OU pagaríamos fortunas para tê-los sob as leis do mercado e da oferta-procura. Nosso atual padrão de vida não poderia melhorar se houvesse inclusão social. Defendo o estado das coisas, o status quo. E todos, no fundo, também defendem. Em outras palavras, garantem sua condição, sua supremacia, sua aristocracia, sua posição na casta da sociedade. Mas claro, doam brinquedos usados nos Dias das Crianças, doam roupas e calçados que não usam mais a quem precisa, e até ligam para o Criança Esperança. Se chocam com a pobreza, com a seca no Nordeste e com a fome na África. Mas no intímo, agradecem pela sua posição, por terem o que muitos não têm, porque sabem inconscientemente o colapso mundial que seria se todos pudessem ter coisas materiais e imateriais, mesmo ao mínimo. "Já que alguém é para ficar por baixo, que sejam os outros". Somos porcos egocêntricos carniceiros e comiseradores que apenas queremos manter o nosso status quo no jogo do empurra-empurra chamado VIDA. Perturbadora a realidade, não?!
Escrito por OLiver Hard às 02h42
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