...ácido, corrosivo, perturbador...


Estudo sobre a Audição

Ouvir é a grande válvula de escape da humanidade (já compreender o que foi ouvido, são outros quinhentos...). Vou me ater aqui a um breve resumo das doces peculiaridades que transformam a audição em um das mais fascinantes e nostálgicos sentidos humanos...

Recém Nascidos - Com a audição pouco desenvolvida, os bebês e recém-nascidos têm dificuldade em ouvir, compreender e serem compreendidos (por não conhecerem idioma algum...). Tanto que aqueles brinquedinhos de berço que fazem barulhos agudos, com seus decibéis estrondosos, são terminantemente proibidos para crianças de colo e às que ainda mamam. A justificativa é que a cavidade e órgãos auditivos não se desenvolvem totalmente até os 6 anos de idade. Assim, qualquer barulho muito alto ou agudo demais pode delibitar o sistema auditivo em formação das crianças, comprometendo sua audição no futuro (uma espécie de surdez parcial ou total). E curiosamente, conversar com bebês diminuindo o tom vocal, falando engraçado e meigamente, coisas do tipo "Cadê bebê?! Cadê nenê?!", ajudam a começar o desenvolvimento auditivo deles, porque desencadeia no cérebro uma pré-percepção a sons (e quer melhor começo que com sussurros agradáveis a um ouvido 'virgem'?!). Essa inauguração calma e pacífica dos ouvidos só vem tentar amenizar o futuro barulhento a que todo ouvido é destinado...

Fone de Ouvido, Walk-Man e CD Player - É certo e conhecido que aparelhos que ficam diretamente na cavidade auditiva causam surdez... uma surdez gradual, que não deixa de ser algo suficientemente responsável por um "ahmmmmmm?!" na Terceira (ou Melhor) Idade...

Ouvido Externo é a Esperança - A função da orelha é interceptar o som. É na verdade o ouvido que identifica os sons captados pela orelha e "colocam" no cérebro para uma compreensão final da mensagem. Assim, para surdos (o ouvido interno é debilitado), a esperança se encontra no ouvido externo, que promete, além de substituir o interno, permitir uma audição parcial. Isso tudo são planos futurísticos, mas que não englobam a descoberta e aperfeiçoamento das células-tronco, e sim, da tecnologia.

Beethoven - Ludwig Van Beethoven compôs sua melhor e mais famosa obra na época em que já se encontrava surdo! "...Então surgiram os primeiros sintomas da grande tragédia beethoveniana - a surdez. Em 1796, na volta de uma turnê, começou a queixar-se, e foi diagnosticada uma congestão dos centros auditivos internos. Tratou-se com médicos e melhorou sua higiene, a fim de recuperar a boa audição que sempre teve, e escondeu o problema de todos o máximo que pôde. Só dez anos depois, em 1806, que revelou o problema, em uma frase anotada nos esboços do Quarteto no. 9: "Não guardes mais o segredo de tua surdez, nem mesmo em tua arte!".

Voz Gravada - Você já ouviu sua voz gravada?! Pode comprovar como ela soa diferente do que quando nós próprios a ouvimos?! Esse 'fenômeno' tem uma explicação: a Condunção Óssea!

Condução Óssea - Quando as orelhas interceptam algum som e encaminham ao ouvido interno para que a mensagem seja codificada e decifrada pelo cérebro, a impressão que se tem é a de que no ouvido tem um "programa automático de descodificação oral Tabajara". Mas de fato, toda a aparelhagem, todos os órgãos auditivos, entre eles os famosos Martelo, Bigorna e Tromba de Eustáquio, todos estes funcionam por meio de vibrações! O som é uma vibração, e assim vibra, vibra, até adentrar nos ouvidos, vibrando a cavidade auditiva, para a interpretação da mensagem fonada. Assim, quando falamos, além de ouvir o som que produzimos por vibração atmosférica, também ouvimos a vibração óssea da mandíbula, que vibra no cérebro, que vibra no ouvido, fazendo com que ouçamos duas vezes as coisas, voz sobre voz, vibração sobre vibração. Assim, quando a voz é gravada e posteriormente ouvida, é eliminada a vibração óssea do ato de falar, ocasionando uma voz diferenciada, porque o ouvido interno não vibrou duas vezes, como estamos acostumados a nos ouvir... Complicado, talvez. Mas foi essa a solução para Beethoven ao compôr a Nona sinfonia, por exemplo. Já completamente surdo, o esperto Beethoven colocou um cano longo e oco, com uma extremidade na sua boca, e a outra, nas cordas dentro do piano. E apertando as teclas do piano, o som com as notas musicais vibrava nas cordas, que vibrava no cano, que vibrava na sua boca, que vibrava na mandíbula, que vibrava no ouvido interno, fazendo com que a sua obra fosse possível graças a astúcia divina da condução óssea! Vamos vibrar os segredos da Biologia!

Finalizando, espero que eu tenha acrescido algo de novo a vocês. E para considerações finais, usem cotonetes® com cuidado, ouçam somente música de qualidade e não falem muito ao telefone... tudo para a saúde dos ouvidos! Abraços ou beijos!



Escrito por OLiver Hard às 02h47
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Taboos da Sociedade - Parte Um de Um Milhão

“- Não seja tola, Scarlett! É uma tolice estar a chorar de acanhamento. Isso é infantil. Por certo que, não sendo cego, não podia deixar de ver que você está grávida.

    Ela, petrificada, só pode articular um ‘Oh!’, escondendo seu rosto entre os dedos apertados. A palavra horririzou-a. Frank sempre se referia, acanhadamente, ao ‘seu estado’; Geraldo quando se tratava desse caso, falava delicadamente de ‘aumento de família’; e as senhoras diziam ‘em estado interessante...’.” 

        Trecho do livro ‘...E o vento levou’, de Margaret Mitchell, escrito em 1926, com história ambientada em 1886 na sociedade escravocrata do Sul dos EUA no quadro pós-guerra da Secessão americana.

 

        Este fragmento bibliográfico pertence a uma das melhores (e maiores, senão a maior) leituras que já tive. A versão escrita de ‘...E o vento levou’, posteriormente adaptada para o cinema, trata em diversas ocasiões do paradigma que se tornou certos conceitos transformados em tabus, e que mais adiante foram abolidos ou abafados. O exemplo supracitado trata do modo como a gravidez era vista no século XIX. Histórias da carochinha de que os filhos nascem de repolhos ou eram trazidos por cegonhas refletem a situação de pânico e mistério que era posta à pergunta ‘de onde viemos’. Deste, tantos outros tabus. Esta é a parte Um, de um milhão de tabus (os quais nem vou citar). Por fim, os conceitos de tudo e todos estão mudando a todo o momento. Os tabus e questões polêmicas estão sendo abolidas, mas ainda reina a desconfiança e o preconceito entre as partes. Assim sendo, os tabus foram, são e serão os grandes carmas e os grandes pilares de qualquer sociedade humana ao passar dos anos e anos, para todo o sempre, Amém!

Escrito por OLiver Hard às 22h33
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